PARANAUÊ NERVOSO REVIEW: DONKEY KONG COUNTRY: TROPICAL FREEZE

Nesta análise, eu convido vocês a entrarem no clima. Em diferentes partes do texto eu colocarei o link de uma das músicas da estupenda trilha sonora do jogo e peço que ouçam enquanto leem. A minha esperança é que, assim, o que agora eu escrevo faça mais sentido.

Introdução:

Um jogo como poucos

Com o perdão do trocadilho com o nome da Rare, empresa que ficou famosa por dar vida ao Donkey Kong, além de ser responsável pela série ‘Country na década de 90 e dona de demais clássicos como Banjo & Kazooie, Donkey Kong Country – Tropical Freeze consegue o feito de ser tão bom quanto – e por que não melhor – que os clássicos de Super Nintendo. Donkey Kong Country voltou ao seu ‘formato original’ no Wii com Donkey Kong Country Returns, jogo de relativo sucesso desenvolvido pela Retro Studios, um estúdio ocidental interno da Nintendo, após a conclusão de Metroid Prime 3.

Ok, e porque isso é importante?

Porque eles são nada menos que os responsáveis por dar vida a Metroid Prime, um dos mais aclamados games da série Metroid e que marcou a migração de um jogo plataforma 2D para 3D de forma magistral. Em Tropical Freeze, eles aproveitaram tudo que deu certo em Returns, e conseguiram deixar ainda melhor, o que é digno de nota. Tropical Freeze conta ainda com outro fator que pesa a seu favor, mas a que não se dá a devida relevância. Trata-se da trilha sonora, que retorna às mãos do brilhante David Wyse, nada menos que o compositor original das músicas dos clássicos retro. Já antecipo e peço que acreditem – isso faz toda diferença!

Outro fator que o torna um jogo tão “raro” é justamente o fato de ter sido lançado em uma plataforma tão mal sucedida comercialmente – o malfadado Wii U. Estranhamente, o console conta com excelentes jogos exclusivos – um melhor que o outro!

O que me motiva a expor minhas impressões nessa análise é justamente o produto de todos os fatores mencionados gerarem um produto que, na minha modesta opinião, é sem sombra de dúvidas o melhor jogo disponível no já finado console (não levando Zelda Breath of the Wild em consideração) e talvez o melhor jogo de plataforma dessa década. Será que estou exagerando? Espero que me digam depois.

Busted Bayou:

Macacos me mordam

Tudo começa quando a ilha de Donkey Kong é invadida por pinguins vikings (sério!) e um exército de outras criaturas árticas, que com ajuda de um artefato mágico congelam parte das terras do arquipélago e ameaçam a vida pacata do macaco e seus amigos.

No jogo você controla Donkey Kong, mas neste você tem a opção de escolher qual parceiro irá ajudá-lo a transpor as dificuldades de cada fase. Cada parceiro tem alguma habilidade especial. Diddy Kong pode flutuar por alguns segundos com um foguete nas costas, Cranky Kong pode usar sua bengala para saltar sobre espinhos e alguns outros elementos perigosos sem se ferir, e Dixie, minha preferida (e talvez da maioria) tem a aptidão de voar por breves momentos, o que lhe permite tanto alcançar alguns pontos mais altos do cenário quanto salvar sua vida de quedas iminentes.
O jogo é dividido em “mundos” – diferentes partes da ilha em que Donkey Kong vive. Cada mundo possui uma diferente série de fases (com algumas secretas). Acreditem, não há uma simples fase no jogo todo que você possa dizer que é parecida com outra. Todas elas são muito características e com jogabilidades extremamente diversificada – uma mesma fase pode ter partes dentro d’água, em um carrinho daqueles que andam sobre trilhos e uma série de pulos usando barris, que precisam de timing perfeito

Windmill Hills:

Prepare to die

Logo de início você tem acesso a todas as habilidades que você usará até o final do jogo. Não há power ups, evolução, crafting, nada. Você pode pular, se agarrar em cordas, algumas folhagens, bater no chão, rolar, e usar as habilidades de cada personagem desde o primeiro minuto de jogo.

É espantoso que mesmo assim, com todas ferramentas já disponíveis desde o começo, você não sinta nem um pouco que o jogo é repetitivo por não te “presentear” com novas habilidades. Tudo isso acontece devido ao excelente game design. Como citado anteriormente, cada fase é completamente única e marcante de alguma maneira. Mas acredite – todas elas são desafiadoras, algumas mais (muito, mas muito mais), outras menos. Às vezes, simplesmente completar a fase não é algo tão complicado, mas, se você não quiser abrir mão dos colecionáveis, o bicho pega!

Cada fase sempre tem as clássicas letras K-O-N-G, assim como peças de quebra cabeça. Ao pegar todas letras KONG em todas fases de um mundo, você abre a “K-Stage”, e aí terá que suar a camisa para passar. Já se você conseguir pegar todas as peças de quebra cabeça, um novo mundo se abrirá ao final do jogo. Capturar todos esses colecionáveis é desafiador. As peças de quebra cabeça geralmente estão em fases bônus, cujo objetivo é pegar todas bananas ou algo similar a isso. Pensando melhor, talvez as fases bônus sejam a única coisa realmente repetitiva no jogo todo.

Prepare-se para uma experiência totalmente oldschool que vai testar suas habilidades, seu timing e precisão nos comandos. O jogo é difícil, e isso é algo extremamente positivo. Ele respeita a sua inteligência e capacidade de aprender com seus erros, nunca lhe punindo de forma injusta. Os controles são precisos, mas cada macaco se movimenta de uma maneira um pouco diferente, então é necessário ter isso em mente ao planejar seus movimentos. E o jogo vai testar muito sua velocidade de raciocínio, com fases insanamente rápidas, com ação acontecendo de todos os lados.

Ah, não posso me esquecer de citar que cada mundo possui um chefe, cada boss battle sendo completamente diferente da anterior (o que já não é novidade, certo?). E, como se não bastasse, todos eles são bastante custosos.

Horn Top Hop:

Tecnicamente perfeito

Ok, nada disso é novidade para um fã de jogos de plataforma mais antigos. Então, o que mais torna ele tão bom? É a sinergia de todos estes elementos.

Primeiramente, apesar de ser um jogo do “defasado” Wii U, isso não o impede de rodar em 1080p com 60 quadros por segundo constantes. Isso adiciona uma fluidez visual que, somada ao soberbo trabalho artístico, que recria cenários lindíssimos – indo de cavernas para praias, para dentro do mar, savanas ao pôr do sol, florestas densas, até, finalmente, paisagens congeladas – nos deixam de olhos vidrados com a explosão de cores e movimentos que a tela mostra.

Grassland Groove:

E aí entra David Wyse. Como se isso tudo fosse pouco, a trilha sonora entra na jogada e complementa de forma extraordinária todo aquele movimento. As músicas fazem com que seu personagem “dance” e progrida na fase seguindo seu ritmo. Há muitas fases que ilustram meu argumento – Grassland Groove me remetia ao Rei Leão, por exemplo – e mais: em determinadas fases os inimigos se movem de acordo com o ritmo da música, tornando tudo ainda mais incrível. Este é o caso da fase Horn Top Hop, em que alguns inimigos se movem de acordo com a música, e inclusive sopram “cornetas” que fazem parte dos obstáculos deste estágio. Como acontece com cada fase, nenhuma música se torna repetitiva. As canções progridem, mudando os instrumentos da melodia, mas nunca perdendo o ritmo e o pace. Tudo isso com uma gama de instrumentos e estilos que tornam essa trilha sonora uma masterpiece, talvez maior que o próprio jogo.

Não sei se eu me entusiasmei demais com este jogo, mas tirando as fases bônus, que são repetitivas, e a dificuldade, que pode frustrar alguns, o jogo tem poucas falhas aparentes. Talvez possamos apontar o fato de não usar a tela do gamepad do Wii U e o modo para dois jogadores funcionar apenas de forma cooperativa como “defeitos”.

Aliás, foi desta forma que eu joguei o jogo inteiro. A dificuldade que já é elevada ficou um pouco pior, pois ambos precisam trabalhar juntos para passar de fase. Foram necessárias muitas sessões de jogatina com meu amigo para chegarmos ao final, mas posso afirmar com todas as letras que valeu cada segundo gasto.

É lástima que tão poucas pessoas tenham tido acesso a este jogo. Afirmo sem hesitar por um segundo sequer: é uma obra de arte, que não merece menos do que 5 de 5 PARANAUÊS como nota!